segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

mataram o meu sorriso .

" Dia 15 de Janeiro de 2012, hoje eu tomo a decisão mais sábia da minha vida, morrer ". Foi com esse pensamento que meus pés me guiaram até a cozinha, todos dormiam em uma casa silenciosa e escura, e eu era o único ser acordado, não por muito tempo. A distancia entre o copo e o gosto amargo que o comprimido causa não eram maior do que o abismo aberto dentro de mim, foram dois, três, sucessivos, lágrimas, pedidos de desculpas que já não serviam, pessoas, lembranças de uma vida inteira, uma vida carregada em ombros pequenos, dores comprimidas dentro de mim, gritos que não saiam, insanidade. E quanto mais saciava essa sede por não vida, mais lágrimas brotavam de dentro, as lágrimas que não sairão, as raivas que não esmurraram, as palavras que não foram jogadas, todos os resquícios de uma vida amargurada, um vida de meios sorrisos e meias felicidades, uma vida pela qual se tinha desistido. O corte do pulso, o furo da faca, cicatrizes causadas por um coração cansado de caminhar já estavam cavadas mesmo antes do estrago da carne com a lâmina. Eu tive medo, frio, tremores, saudades, dores, mais tudo isso ia passar. E como mágica, os olhos insanos voltaram a si, me peguei em meio à um ato de estupidez e perigo, liguei e esperei a voz no outro lado da linha, a mesma voz que me acolhia nos tempos de escuridão, a mesma voz que me puxava da queda. Não se vale morrer por coisas pequenas, coisas que já não existiam mais, eram simples coisas. Eu fiquei ali, parada, na cama sem me mexer, sem falar, sentindo a lágrima morna que caiu no meio da noite no meu quarto, fitando o teto, esperando alguma coisa que vinhe-se me buscar, e como se já estive-se ali e acompanhado tudo de perto ela veio ao meu encontro, me pôs para dormir um sono profundo, enxugou minhas lágrimas e sussurrou em meu ouvido : " Não chegou a sua hora .." como se já não ouve-se nada para ser feito, ela saiu daquele ambiente triste, fechou a porta e não olhou para trás .

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