segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

tempo, tempo, tempo ...

Hoje, eu me peguei pensando no tempo. Eu olhei pela janela aberta da minha mente e revivi memórias, desde as mais tolas até as mais emocionantes. Hoje, eu revivi você em mim. Uma parte do que ficou na estrada, uma parte que se guardou dentro da gaveta, uma parte que se dobrou dentro de envelopes de cartas de amor, uma parte que sorria e beijava-me a testa em fotografias amareladas. Eu me senti em cada espaço de tempo que minha memória vivenciava, fechei os meus olhos em meio a devaneios tolos, fechei meus olhos em meio ao aperto que ficou da saudade impregnada no meu pequeno coração. Revejo você em cada publicação amiga de redes sociais de amigos em comum, eu não me vejo nelas, eu não me vejo naqueles lugares, como se um imagem apagada pairasse por ali, eu não pertenço mais aquela roda, aquele mundo. Eu me perdi no seu coração, me perdi nas suas mãos, eu escapuli como se fosse ventania. Não nos conhecemos mais, não sabemos como estamos, o que fizemos na semana, não nos ligamos mais e nem trocamos palavras carinhosas. Não nos possuímos mais. Algo de muito importante e grande se arrastou, quebrou, saiu e trancou a porta, não disse para onde ia, não deixou recado na geladeira, não avisou. E todos os dias, eu olho a mesma hora esperada e espero a mesma ligação, é besteira eu sei, coisas simples que eram costumes rotineiros que agora fazem falta. A culpa não se sabe de quem foi, dá saudade, dá vontade de ligar, dá vontade de dizer que te amo, mais não se faz. Correr atrás de algo sozinho é inútil, viver sozinho é solitário demais. Eu não queria, não planejei esse final, fiquei "frustrada", mais não abrigarei seu coração úmido nas noites de chuva pois seu coração já levantou acampamento e se foi. Continuo a fazer as mesmas coisas, a ler o mesmo livro, a escutar as mesmas músicas, a dormir abraçada ao mesmo urso, a sentir o mesmo sentimento voraz. Eu não peço que volte, eu não o quero em bandas. Volte se achar necessidade, se ver significância, se encontrar o que você perdeu.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Oh! Jimi o tempo passou e a gente não viu. Oh! Jimi aonde você foi agora? Oh! Jimi dez anos e o que a gente construiu. Oh! a banda, o futebol. Oh! Jimi o tempo passou e a gente sorriu. Oh! Jimi você não está aqui agora ... Pra onde você foi, não sei, faz frio ? Tem sexo ou é vazio ? Da correnteza ao rio ? Ou uma luz ? ~ Jimi - Cidadão Quem. 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

mataram o meu sorriso .

" Dia 15 de Janeiro de 2012, hoje eu tomo a decisão mais sábia da minha vida, morrer ". Foi com esse pensamento que meus pés me guiaram até a cozinha, todos dormiam em uma casa silenciosa e escura, e eu era o único ser acordado, não por muito tempo. A distancia entre o copo e o gosto amargo que o comprimido causa não eram maior do que o abismo aberto dentro de mim, foram dois, três, sucessivos, lágrimas, pedidos de desculpas que já não serviam, pessoas, lembranças de uma vida inteira, uma vida carregada em ombros pequenos, dores comprimidas dentro de mim, gritos que não saiam, insanidade. E quanto mais saciava essa sede por não vida, mais lágrimas brotavam de dentro, as lágrimas que não sairão, as raivas que não esmurraram, as palavras que não foram jogadas, todos os resquícios de uma vida amargurada, um vida de meios sorrisos e meias felicidades, uma vida pela qual se tinha desistido. O corte do pulso, o furo da faca, cicatrizes causadas por um coração cansado de caminhar já estavam cavadas mesmo antes do estrago da carne com a lâmina. Eu tive medo, frio, tremores, saudades, dores, mais tudo isso ia passar. E como mágica, os olhos insanos voltaram a si, me peguei em meio à um ato de estupidez e perigo, liguei e esperei a voz no outro lado da linha, a mesma voz que me acolhia nos tempos de escuridão, a mesma voz que me puxava da queda. Não se vale morrer por coisas pequenas, coisas que já não existiam mais, eram simples coisas. Eu fiquei ali, parada, na cama sem me mexer, sem falar, sentindo a lágrima morna que caiu no meio da noite no meu quarto, fitando o teto, esperando alguma coisa que vinhe-se me buscar, e como se já estive-se ali e acompanhado tudo de perto ela veio ao meu encontro, me pôs para dormir um sono profundo, enxugou minhas lágrimas e sussurrou em meu ouvido : " Não chegou a sua hora .." como se já não ouve-se nada para ser feito, ela saiu daquele ambiente triste, fechou a porta e não olhou para trás .

domingo, 15 de janeiro de 2012

Quando a luz do poste não acendeu ..

Adeus, meu amor, logo nos desconheceremos. Mudaremos os cabelos, amansaremos as feições, apagarei seus gostos e suas músicas. Vamos envelhecer pelas mãos. Não andarei segurando os bolsos de trás de suas calças. Tropeçarei sozinho em meus suspiros, procurando me equilibrar perto das paredes. Esquecerei suas taras, suas vontades, os segredos de família. Riscarei o nosso trajeto do mapa. Farei amizade com seus inimigos. Sua bolsa não se derramará sobre a cadeira. Não poderei me gabar da rapidez em abrir seu sutiã. Vou tirar a barba, falar mais baixo, fazer sinal da cruz ao passar por igrejas e cemitérios. Passarei em branco pelos aniversários de meus pais, já que sempre me avisava. O mar cobrirá o desenho das quadras no inverno. As pombas sentirão mais fome nas praças. Perderei a seqüência de sua manhã - você colocava os brincos por último. Meus dias serão mais curtos sem seus ouvidos. Não acharei minha esperança nas gavetas das meias. Seus dentes estarão mais colados, mais trincados, menos soltos pela língua. Ficarei com raiva de seu conformismo. Perderei o tempo de sua risada. A dor será uma amizade fiel e estranha. Não perceberei seus quilos a mais, seus quilos a menos, sua vontade de nadar na cama ao se espreguiçar. Vou cumprimentá-la com as sobrancelhas e não terei apetite para dizer coisa alguma. Não olharei para trás, para não prometer a volta. Não olharei para os lados, para não ameaçá-la com a dúvida. Adeus, meu amor, a vida não nos pretende eternos. Haverá a sensação de residir numa cidade extinta, de cuidar dos escombros para levantar a nova casa. Adeus, meu amor. Não faremos mais briga em supermercado, nem festa ao comprar um livro. Não puxaremos assunto com os garçons. Não receberemos elogios de estranhos sobre nossas afinidades. Não tocaremos os pés de madrugada. Não tocaremos os braços nos filmes. Não trocaremos de lado ao acordar. Não dividiremos o jornal em cadernos. Não olharemos as vitrines em busca de presentes. O celular permanecerá desligado. Nunca descobriremos ao certo o que nos impediu, quem desistiu primeiro, quem não teve paciência de compreender. Só os ossos têm paciência, meu amor, não a carne, com ânsias de se completar. Não encontrará vestígios de minha passagem no futuro. Abandonará de repente meu telefone. Na primeira recaída, procurará o número na agenda. Não estava em sua agenda. Não se anota amores na agenda. Na segunda recaída, perguntará o que faço aos conhecidos. As demais recaídas serão como soluços depois de tomar muita água. Adeus, meu amor. Terá filhos com outros homens. Terá insônia com outros homens. Desviará de assunto ao escutar meu nome. Adeus, meu amor.
- Fabrício Carpinejar 

Mãe tá doendo .

 Eu estava lavando a louça, como sempre fui a menina obediente, fiz tudo que a mãe me pedia até que ela chega e pergunta o que eu já esperava:
- Onde está seu namorado ?
- Deve estar na casa dele ..
- E porque ele não está aqui ? com você ? namorando ?
- Talvez seja por que não namoramos mais ..
- Porque ?
- Eu não sei mãe .
E naquele momento, minha mãe olhando pra mim, eu fazendo o que sempre fazia, minhas mãos espumadas, a ternura no olhar dela, eu chorei . Chorei no silêncio de quem não percebe movimentos, chorei baixinho e pra mim, chorei como se já fosse habitual, chorei porque meu coração estava em pedaços. E entre as lágrimas, o sabão e meus pensamentos eu falei com minha mãe, sem palavrear, argumentar ou confortar, eu falei com a minha mãe na minha mente, de alguma forma ela me escutou, ela escutou até o fim, elas sempre possuem essas coisas mágicas. " Mãe eu to morrendo aqui dentro, eu me prendi, tô me fechando, me sufocando. Mãe eu tô doente, eu tô carente, eu perdi a minha fé. Mãe tá doendo, doendo muito, é muito sozinho, é frio, é sem vida, é muito escuro. Mãe eu tô com medo, eu tô com medo de mim e das pessoas, eu tô com medo do meu coração, da minha prisão. Mãe me ajude, é muito difícil, é imoral, é triste. Mãe eu tô sozinha, eu tô sem sonhos, sem perspectiva, sem sono. Mãe eu tô me acabando, eu tô entrando em um labirinto sem fim. Mãe reza por mim, a tua fé é maior que a minha, me puxa pela mão, me põe no colo, me faz carinho, me bota pra dormir, põe remédio, e diga que vai sarar. Mãe me perdoe se eu não suportar esse vazio, se eu pular nesse abismo, se eu começar a ficar sozinho. Mãe eu te amo, reze por mim, zele por mim, escute o meu silêncio, mamãe " quando terminei de conversar, meu rosto em meio a espuma, lágrimas e dor vi que a minha mãe me fitava de costas, meio que querendo uma parcela dessa dor pra ela, meio que transmitindo forças, meio que em preces por mim, e com as poucas palavras que possuía e a grande história de vida de quem já passou por esses caminhos, ela me disse, da sua forma mais forte e rústica, doce e amável :
- A vida tem dessas coisas, tem suas ondas, sua maré cheia, seus altos e baixos, mais vai passar .

sábado, 14 de janeiro de 2012

silêncio .

Quando o dia de ontem nasceu, naturalmente como os outros dias, eu não imaginei o quão doloroso seria o seu final. É madrugada de um dia seguinte, um dia relativamente novo, com coisas novas, relativamente. Como um flash-back essa dor, essa perfuração, essa solidão tornou a me visitar, a me tocar. A pouco tempo estava eu tentando dormir, em vão, cochilei e sonhei. A noite será longa, com o aparecimento constante de seu rosto nela e quando eu acordo, estou com lágrimas nos olhos, no escuro eu não as percebo mas sei que elas estão lá, mornas e silenciosas, como uma faca que corta aos poucos, a mesma ansiosa faca que anseiam cortar meus pulsos, a mesma faca que perfuram, novamente, meu coração. Realmente, nunca me vi tão sozinha, tão despida de vida e fé, tão nua e favorável a pensamentos suicidas. E é nas palavras que eu venho pedir colo, aconchego, são elas que expressam todos os meus soluços, meus gritos. Eu não tenho forças, sei disso, eu não tenho chão e meus sonhos e planos foram arrancados de mim pela vida, dura vida. Eu continuarei com o mesmo sentimento por você, eu continuarei esperando que o dia amanheça e traga coisas novas e boas, eu continuarei esperando, esperando, esperando um dia, que o sol torne a brilhar e que eu torne a sorrir, mais uma vez .
(...) se lembrar quando a gente chegou um dia acreditar que tudo era pra sempre, sem saber que o pra sempre, sempre acaba .